Estudo com mulheres de diferentes perfis corporais sustenta ampliação do prazo e fortalece o debate sobre saúde reprodutiva
Foto: Envato
A agência reguladora dos Estados Unidos aprovou, em janeiro de 2026, a ampliação do tempo de uso do implante contraceptivo de etonogestrel para até cinco anos. A decisão do FDA reforça a segurança e a eficácia de um dos métodos contraceptivos de longa duração mais utilizados no mundo, especialmente entre mulheres que buscam praticidade e alta proteção contra gravidez não planejada.
O implante de etonogestrel é um método contraceptivo hormonal inserido no braço, que atua inibindo a ovulação e promovendo alterações no muco cervical. No Brasil, a bula ainda indica duração de três anos, aguardando análise da Anvisa para possível atualização. “Até que isso ocorra, a orientação é que qualquer decisão sobre uso prolongado seja individualizada, discutida com a paciente e devidamente registrada em prontuário médico”, explica Alexandra Ongaratto, médica especializada em ginecologia endócrina e climatério e Diretora Técnica do Instituto GRIS.
Aprofundamento do estudo
A aprovação norte-americana foi baseada em um estudo clínico que acompanhou 399 mulheres durante os anos quatro e cinco de uso do implante. Nesse período, não foi registrada nenhuma gestação, mantendo o Índice de Pearl igual a zero e sem identificação de novos achados de segurança. O estudo incluiu mulheres com ampla variação de índice de massa corporal, com quase 40% das participantes vivendo com obesidade.
Para Alexandra, as informações trazidas pelo estudo ajudam a combater um dos principais mitos em torno dos métodos hormonais. Segundo dados compartilhados pela médica, a obesidade não demonstrou impacto negativo na eficácia do implante, reforçando que o método mantém seu alto nível de proteção mesmo em diferentes perfis corporais.
Ainda segundo a médica, a falta de informação sobre contracepção pode afetar diretamente o dia a dia das mulheres, influenciando decisões reprodutivas, planejamento familiar, vida profissional e relações pessoais. Muitas pacientes interrompem métodos eficazes por insegurança ou por medo de perda de efeito ao longo do tempo, o que pode levar a falhas contraceptivas evitáveis.
Entre a ciência e o cotidiano feminino
Além disso, há um consenso sobre o debate dever ser conduzido com base científica. Ainda segundo Alexandra, as informações disponíveis hoje indicam que o mesmo implante já utilizado no mercado possui quantidade hormonal suficiente para manter a eficácia além dos três anos originalmente indicados. Ainda assim, no contexto brasileiro, a médica reforça que a conduta deve respeitar a regulamentação vigente e ser sempre fruto de decisão compartilhada entre profissional e paciente.
Enquanto a Anvisa não se posiciona oficialmente sobre a extensão do prazo de uso no Brasil, especialistas destacam a importância de acesso à informação clara, atualizada e baseada em evidências. A ampliação do uso aprovada pelo FDA representa um avanço na saúde reprodutiva feminina e reforça a necessidade de atualização constante das políticas e diretrizes clínicas.
“A informação baseada em ciência segue sendo um pilar essencial para escolhas reprodutivas conscientes, seguras e alinhadas às necessidades individuais de cada mulher”, conclui Alexandra.
Instituto GRIS
O Instituto GRIS tem como compromisso priorizar o bem-estar e a saúde feminina. Sediado em Curitiba, é pioneiro como o primeiro Centro Clínico Ginecológico do Brasil, agregando as mais avançadas tecnologias para o cuidado da saúde íntima feminina. Seu enfoque abrangente e especializado combina inovação e dedicação, ajudando as mulheres a assumirem o protagonismo em suas jornadas de saúde.



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