Salgados, marmitas, bares,
padarias e pequenos restaurantes estão entre os empreendimentos que geram renda
e movimentam o comércio local. No Brasil, 45% dos negócios presentes nas
favelas pertencem ao setor de alimentos e bebidas, segundo o Data Favela

Negócios de alimentação representam
45% dos empreendimentos nas favelas brasileiras, segundo levantamento do Data
Favela, e ajudam a movimentar a economia local | Foto: Paulo Pinto / Agência
Brasil
O comércio de alimentos faz parte
do cotidiano e da economia de muitas favelas brasileiras. Da marmita preparada
para quem sai cedo para trabalhar ao bar que reúne moradores no fim do dia,
esses negócios atendem às necessidades da comunidade, geram renda para as
famílias e ajudam a manter o dinheiro circulando dentro do próprio
território.
A presença do setor é expressiva.
Segundo o Data Favela, 45% dos negócios existentes nas comunidades são de
alimentos e bebidas. O percentual inclui diferentes atividades, como a venda de
salgados, o preparo de refeições, bares, padarias e serviços de confeitaria.
O empreendedorismo também aparece
como uma alternativa de geração de renda para quem vive nesses territórios.
Pesquisa do Data Favela realizada em julho de 2025 mostra que 73% dos moradores
acreditam que ter o próprio negócio é um caminho mais fácil para ganhar
dinheiro. Nesse contexto, empreender deixa de ser apenas uma alternativa e
passa a representar um projeto de vida para muitas famílias.
A dimensão desse mercado
acompanha a presença das favelas no país. São mais de 12 mil comunidades, onde
vivem mais de 16 milhões de pessoas, segundo o Censo 2022 do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Alimentação está entre as principais atividades econômicas das
comunidades
O setor de alimentação fora do
lar reúne negócios de diferentes tamanhos e formatos nas favelas. Há
empreendedores que começam vendendo produtos na própria rua, estabelecimentos
familiares que atendem a vizinhança e pequenos negócios que conquistam clientes
para além dos limites da comunidade.
Além de oferecer refeições e
produtos, esses empreendimentos movimentam uma cadeia de atividades que envolve
fornecedores, trabalhadores e consumidores. O dinheiro gerado pode circular no
próprio território, contribuindo para a economia local.
Para a Associação Brasileira de
Bares e Restaurantes (Abrasel), a presença de bares, restaurantes e lanchonetes
nas comunidades também reforça a importância de ampliar oportunidades para quem
empreende nesses espaços. A entidade mantém núcleos em quatro favelas
brasileiras: Morro da Mariquinha, em Florianópolis (SC); Jardim Vitória, em
Cuiabá (MT); Bairro da Paz, em Salvador (BA); e Vergel do Lago, em Maceió
(AL).
A iniciativa busca aproximar os
empreendedores da associação e ampliar o acesso a oportunidades de qualificação
e desenvolvimento dos negócios.
Feiras e capacitação fortalecem empreendedores locais
No Jardim Vitória, em Cuiabá, uma
das iniciativas recentes foi a realização da primeira Feira Gastronômica do
bairro, em setembro. Organizado pelo núcleo local em parceria com a Abrasel no
Mato Grosso, o evento reuniu empreendedores da própria comunidade, que
apresentaram seus produtos, receitas e histórias em um espaço dedicado à
produção local.
Após a feira, os participantes
tiveram acesso a uma qualificação gratuita com conteúdos sobre segurança dos
alimentos, marketing, gestão e vendas. Os temas fazem parte dos desafios
cotidianos de quem administra um negócio de alimentação e busca ampliar a
clientela e manter a operação.
No mesmo bairro, outra ação
envolve o descarte adequado de óleo de cozinha usado. O Projeto Papa Óleo
realiza coletas em estabelecimentos parceiros e recebe doações dos moradores.
Neste ano, a iniciativa já recolheu 220 litros do material, que deixam de ser
descartados incorretamente na rede de esgoto ou no solo.
“As pessoas tinham muito óleo
usado em casa e não sabiam como descartar esse material, estavam guardando há
meses. Quando foi lançado o projeto, elas souberam como fazer”, explica Val
Cabral, coordenadora do Núcleo da Abrasel Jardim Vitória.
O óleo recolhido será vendido a
empresas que o encaminham para a produção de biodiesel. A arrecadação será
destinada à construção de uma estação de coleta seletiva na comunidade,
conectando uma ação ambiental à geração de recursos para uma estrutura de interesse
coletivo.
As experiências mostram
diferentes formas pelas quais os negócios de alimentação podem contribuir para
a dinâmica das favelas. Além de gerar trabalho e renda, esses empreendimentos
participam da construção de redes locais, da valorização dos produtos e da
criação de oportunidades para quem vive e trabalha nesses territórios.



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